domingo, 14 de dezembro de 2014

"Bem"-"Mal"- dita

Faz frio, chove e ela tenta algo para dar um colorido ao dia cinza e solitário.
Faz um café bem quentinho e se senta para assistir um filme. Café e filme?? Não sabe se combina, mas em "Paris" teria que tomar um café, já na Inglaterra seria um chá. E como o filme é em francês, porque não?? Sem champagne, sem álcool, sem abusos. A fase está sistematicamente regrada. 
Pipocas e refrigerantes nem pensar. 
E o filme começa. A intenção é fazê-la rir, afinal, domingo chuvoso não é um bom dia para sorrir sem motivos. 
Entre tantos filmes, escolhe um que não arranca sequer um sorriso, e sim algumas lágrimas. Sensibilidade?? Ah pára, não anda sensível para estas coisas!!
Surpresas, sinais, emoções acontecem e explodem agressivamente sem pedir licença. 
E tudo se mistura como se fosse uma cidade destroçada. 
Os sonhos que teve a noite. Como uma irmã mais nova, estenderá as mãos a cada recaída sua e jamais desacreditará de você. Ponto!! 
Segue um roteiro idiota como o de um filme clichê esperando o desfecho ser o mais previsível de todos, mas encheu o saco e chutou o balde. 
Respira... 
Não aguenta mais esse lugar. Se pudesse, mudaria de planeta, mas pra variar, inventam mais uma missão para ela. 
O choro não é de amor, saudade e sentimentalismos imbecis, dessa vez, chora de dor, de raiva, de burrice, por fraqueza, por cansaço. Limpa as lágrimas como um macho que não pode ser visto chorando. "Homem não chora nem por dor nem por amor". 
Bem-maldito filme!! Se já estava deprimida, teve a parte derradeira. Maldita música!!
Por que músicas, perfumes e gostos marcam tanto assim as lembranças??
Por que haveria de ter aquela música nada a ver no final do filme?? 
Por que tudo isso não passa logo de uma vez só?? 
Ela já não quer mais que muitas coisas e pessoas façam parte da sue vida. Que lembranças existam e apareçam como psicopatas, ela não permite mais isso. E por que estes sinais?? 
Deixem-a em paz, eu ordeno!! O passado ficou lá atrás e nada deve se intrometer nesse presente que só cabe ela. 
Odeia esses insights de domingos chuvosos e solitários. 

"She's gonna have my baby
I taking all I have to take
This taking gonna shape me"

Maldita Bia Flor

Música - Knocked up - Likke Li (KOL)

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Lei universal - Madeleine

A festa começou. 
Os convidados aguardam ansiosos pela chegada dela, Madeleine retornará de um "sono profundo". 
O prato principal já está no menu, mas ninguém tem acesso a ele.
Muitos olhares se cruzam numa expectativa sem tamanho. 
Ela fez tudo cronologicamente, cada detalhe foi estabelecido intencionalmente. 
Requintes, afinal ela é Madeleine. 
Como Gatsby, observou tudo e todos durante um tempo determinado para o momento mais especial. 
Quando aponta, estouram champagnes e mais champagnes. Ela chega com um sorriso angelical mas com a alma possuída. 
O controle é dela!
Engana com tanta delicadeza e simpatia. Aquele sorriso de princesa desencantada. 
Há quem diga que parece um anjo de tão sublime, mas no fundo pode explodir a um toque errado. 
A calmaria chega parecer um sonho perfeito. 
Encanta a todos que estão à sua volta. Exala o perfume mais suave que já existiu. 
Conduz o primeiro e último brinde sem emitir uma palavra se quer, apenas sorrisos e o olhar que penetra em cada convidado; escolhidos à dedo. 
Porém ninguém a conhece o suficiente e acreditam estar feliz e soberana, mas encontra-se quebrada. 
Cada dia desse "sono" tentou se construir vagarosamente, mas um cristal não se conserta com uma cola, não se restauram cristais finos que se dilaceram com um tom errado e desafinado. 
Imperdoavelmente linda! 
Olha para o relógio enquanto a festa flui perfeitamente, e o convidado especial não chega. Isso a incomoda profundamente, mas ninguém repara. A dissimulação é impecável!
Patética!
Alguém a tira para dançar. Cuidado! Ela pode ferir, os espinhos estão escondidos mas fazem sangrar. 
Até que o convidado mais ilustre adentra e ela se transforma na mulher mais contidamente insana já vista nesta vida. 
Olha-te e faz-te sentir mal. 
Um frio sobre pela tua espinha e tu sentes medo, mas não tens como recuar. 
Angelicalmente, convida-te para uma bebida e uma dança, não tens como esquivar, afinal ela é a anfitriã. Aceitas e ao tocares em teu corpo, estremece. Ela sussurra em teu ouvido - "Acalma-te, confie em mim e nada de ruim irá acontecer. O controle é do universo!". 
E como num filme, ela faz vocês flutuarem juntos enquanto dançam. Seus pés não tocam o chão e, perplexos todos os convidados admiram aquela cena. 
Louca de amor, por amor e pelo amor, ela manipula a mente de cada um que um dia a fez sofrer, e faz com que sintam a dor que permaneceu nela nos determinados episódios. 
E se contorcem de tanta dor, porque a dor é física também.
Não é uma espécie de vingança, Madeleine não se vinga. É apenas a lei do mundo, uma roda gigante e chegou a vez de sofrerem pelos maus que fizeram a ela. 
Colherem o que plantaram.
A festa foi preparada para se comemorar esse movimento terreno e certeiro. A lei do que "aqui se faz, aqui se paga". Pagastes pois! 
E o olhar dela dá medo de tão extasiado! 
E enquanto não girar novamente e saírem deste momento, Madeleine se retira realizada e volta a "dormir" deixando a vida se encarregar dos próximos personagens.
Não a magoe, sabes que terás o teu retorno e ela se eximirá de qualquer culpabilidade! 
Senhor, perdoa-me porque pequei?
Cumpriu a penitência da dor, da solidão, da provação, da escuridão com total resigno.
Perdoada está! 

Bia Flor 
"I look and stare so deep in your eyes 
I touch on you more and more every time 
When you leave I'm begging you not to go
Call your name two or three times in a row
Such a funny thing for me to try to explain
How I'm feeling and my pride is the one to blame
Cuz I know I don't understand
Just how your love your doing no one else can"

Música - Crazy in love - Beyoncé ( Fifty Shades of Grey)

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O tempo certo


Tudo, simplesmente tudo, tem um tempo certo de acontecer as coisas na nossa vida. Não adianta querer pular etapas. Não adianta querer passar a impressão de ser uma pessoa adulta, se você ainda é sub 20 ou tem 20 e poucos anos. (Cientificamente comprovado que o homem só forma sua personalidade a partir dos 30 anos). Sempre foram menos maduros que as mulheres.

Por mais madura que você seja, não é mulher ainda, e muito menos homem. Mesmo que tenha passado por milhares de dificuldades as quais fizeram você crescer à duras farpas. Não pule etapas
Eu pude aproveitar as etapas todas nos lugares certos, com as pessoas certas (ou não) e numa época em que não havia tanta tecnologia e nem tanta maldade assim. E continuarei deste exato jeitinho. 
Minha adolescência foi mágica, com direito a viagens de férias com amigos, com direito a uma educação rígida e sem modernidades, viagens sem safadezas e intenções grotescas. 
Tive o privilégio de viver a época da "loucura" quando todos eram "loucos" e sem ter que usar alguma coisa ilícita. 
De ser ícone de uma geração. 
A fase de não ser tão interessante, ser vazia e fútil. Ser até meio irresponsável, mas tudo na hora certa. Sim, existe hora certa. 
Não deixei de aproveitar meus últimos anos de faculdades com amigos que jamais pensei que não veria mais. Das conspirações mais ridículas com as amigas. Não deixei de aproveitar a fase de ser ridícula. 
Tive diários, alguns descobertos, outros secretos até hoje. Não deixei de ser menina quando tive que ser e, agora não deixo de ser mulher. 
Não é simples, às vezes acabo me confundindo porque tenho o privilégio de parecer muito mais nova do que a idade de fato. Isso porque não precisei usar quilos de maquiagens e nunca tive problemas de pele. Hoje em dia, você sai de casa às 7 horas da manhã e a meninada está toda maquiada parecendo um palhaço. Vejo as adolescentes na porta dos colégios todas produzidas e na noite tentam se passar por mais velhas, e se tornam mais velhas aparentemente. E acabam se entregando para qualquer um sem pudor algum, sem se preocupar com o seu corpo porque precisam mostrar que são "mulheres independentes" donas de si sem o menor prazer de viver a real idade. 
Não interessa mais a tal virgindade. Hoje só é interessante a falsa, mas nem tão falsa assim, mulher precoce. 
Há quem diga que eu seja velha. Velho é o preconceito!! 
Velha e a sua vontade de querer estar comigo e não ter coragem de assumir o que sente. Se perder num mundo de garotas acessíveis pela tecnologia, onde as pessoas plantam o perfil que mais atrai, só que no "teti a teti" quase sempre tudo munda. Não existe a coisa mais gostosa, a química, o frio na barriga, as mariposas ou borboletas no estômago.
Essa fase foi esquecida pela pressa e pela tão famigerada "conquista de territórios". O jogo!! 
Meu corpo não está a venda, muito menos minha mente, minhas convicções e princípios. Se um dia eu fui sua, e disse que fui só sua, não estava mentindo, porque meu corpo é uma jaula. É trancado, é sagrado, é de um só. 
Meu corpo não é perfeito, não pretendo ser perfeita, mas quem está comigo tem a sorte de ser único. 
Acabou há anos a fase do "eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também". Já sei namorar, já sei amar (na minha simples concepção de amor) e aprendi a ser de um. E mesmo assim, esse um não tem total liberdade sobre mim, eu dito as minhas regras porque sou respeito e imponho respeito. 
Como disse na abertura do outro texto que não é totalmente meu, mas agora de uma maneira mais detalhada: 
Para as mulheres sim, para as "meninas" tanto faz. 
Num mundo onde o sexo é bastante acessível,  a essência se torna o sex appeal de tudo. 
Cada final de semana ou feriado com uma mulher diferente que mal se conhece, (ou até não se conhece), não é mais significado de garanhão e sim, de que está se tornado um mané inseguro, complexado e vazio, que precisa exibir suas conquistas descartáveis, com tal desespero para que seja aceito como o tão almejado "macho alfa", mas que causa repulsa em vez de atração. E quando a relação começa a ficar menos vulnerável, aparece com a desculpa mais esfarrapada e velha do mundo - não quero um compromisso sério agora. 
Claro, não tem culhão para assumir uma mulher que não aceita ocasionalidades. 
Seja um sujeito encantador e não um falso pegador sem controle de qualidade. Isso não chama a atenção de uma mulher. 
Também não vou dar o caminho das pedras descrevendo o que as MULHERES estão querendo. Tente descobrir, todo mistério, é gostoso. "Uma jujuba de cada vez".
Deixe essa previsibilidade de curtidinhas esporádicas nas fotos das "gatinhas" nas redes sociais só para garantir o lanchinho daqueles dias tediosos. Algumas caem nessa... Daí entra a questão de aproveitar cada fase no tempo exato. 
E por fim, trate a SUA mulher como se ela fosse ÚNICA e a ÚLTIMA da sua vida. 
Não é questão de exclusividade e sim de maturidade. FAÇA PAPEL DE HOMEM  e honre as calças que você diz usar. 
Assuma suas vontades e não se esconda como um menino chorão com medo do bicho papão. 
E meu caro, se você não aproveitou no tempo certo, não queira aproveitar tudo como se o mundo fosse acabar, se queimando e se expondo aos quatro ventos, e muito menos fazendo das suas "conquistas" um troféu, porque isso é ridículo. 
E lembre-se, meu corpo é e sempre será uma jaula e eu só irei me libertar se for para dançar com o escolhido.

"You're standing next to me
My minds holds 
My body is a cage
We take what we're given
Just because you forgotten
That don't mean you're forgiven"

Bia Flor 

Música - My Body is a Cage - Arcade Fire 

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Realidade onírica

"If you're not drinking, then you're not playing".
Interessante e nada entediante. Algumas taças de vinho e uns cigarros acabam culminando num beijo estranho. Mas entre músicas e risadas a noite vai fluindo. Talvez se encante, talvez se arrependa. Foda-se! Mais um encontro que apenas contabiliza.
Chega em casa ainda meio sob efeito do vinho, tira os sapatos e senta na sala, sozinha. 
Olha praquele vazio e se lembra de quando tudo era um pouco diferente. Sente saudade... 
O silêncio vai sendo rapidamente destruído pelos pensamentos, lembranças e vontades que a consomem como um ácido sulfúrico.
Os sentimentos oscilam loucamente. De risadas eufóricas a um choro desesperador. 
Olha-se no espelho da parede e vê a maquiagem meio borrada. 
Abre uma garrafa de vinho. Tudo um fiasco mesmo. 
Não adianta receber as jóias mais caras, fazer as viagens mais fantásticas, os programas mais glamourosos, as "Sete Maravilhas do Mundo". Ela está atordoada.
Os desejos aparecem e somem num piscar de olhos.
Pega o celular e lê mensagens antigas e recentes. Não as apaga. Mas é simples bloquear algumas pessoas que não interessam mais. Simples deletar os desinteressantes.
Queria ter o poder de tocar as pessoas e transformá-las em pedra, ouro ou qualquer coisa que em alguns instantes pudesse quebrá-las e fazê-las sumir para sempre.
Talvez esteja insatisfeita.
Olha para os sapatos jogados e os coloca novamente. Por instantes quer ser Arabella, Layla, Jessica, Valerie, Susanne, Ruby, Roxanne, qualquer inspiração que a tornasse num mito. 
E a vontade de dançar faz com que ela se levante e de maneira bem sexy dance para si mesma. 
Acaricia seus cabelos desarrumados e imagina que tem uma plateia inteira se deleitando com ela.
Por um instante se sente desejada.
O lado narcisista se aflora em noites assim, onde pode se exibir para o espelho sem ser criticada. 
Ela o quer, mas as forças estão diminuindo com o passar do tempo. 
Sente-se fraca. Desamparada quase desmaia. 
Senta-se no chão com as mãos suando frio enquanto se admira no espelho. 
Seu olhar fixo faz com que veja figuras estranhas, quase monstros e sorri.
A alça do vestido cai pelo ombro e mostra as sardas de sol e bem longe ela escuta o mar. Sente saudades do que nunca existiu, do que ainda não viveu. 
Aquele mar imenso só para ela molhar os pés, correr contra o vento, gritar e virar uma criança sem que ninguém a veja. Brinca com a água e a areia e se sente plena. Porém, ainda está fraca. 
Assusta-se com a sua presença a observando de longe e tem medo de se aproximar. 
O vento forte faz você sumir numa nuvem de areia e ela te procura como se estivesse perdida. E você aparece bem perto dela e diz que tudo está bem. Pega na mão dela e leva-a para a casa. Coloca-a para dormir enquanto vela seu sono e sonhos. 
Você a ama enquanto ela está adormecida, apenas em pensamentos. Tem medo de tocá-la, sabe o quanto é frágil e tem medo de machucá-la. Seu desejo por ela só aumenta e a noite não acaba. A vontade de vê-la acordar te consome. Parece um anjo!
Você luta contra tudo o que ela te faz sentir. Só ela consegue te fazer especial, único. Isso te dá muito medo. 

Aquele rostinho te encanta, mas você não sabe como lidar com isso, sabe que ela tem medo da sua estupidez e por um instante percebe o quão mal você é. E se atormenta como ela. 
Até que o sol aparece e você acorda apavorado com aquele sonho que parece um pesadelo, quando percebe que ela pode estar nos braços de outro. 

Bia Flor 

"You're falling hard, I push away
I'm feelin' hot to the touch
You say miss me the must
And I wanna say I miss you so much
But something keeps me really quiet
I'm alive, I'm lush
Your love, your love, your love"

Música - West Coast - Lana Del Rey 

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Beba-me enquanto é tempo

Aconselho-vos a não exagerar na dose e muito menos, misturar-me com outros líquidos. Experimente-me apenas pura, nem com gelo, pois já me encontro em baixíssima temperatura e farei seu corpo esfriar, como o de um cadáver, lentamente. 
Pode ser que você sinta necessidade de me provar mais vezes, algumas serão doces, outras bastante amargas, a constância nunca me agradou muito. Tudo muda o tempo todo, menos algumas pessoas. 
Não se vicie porque talvez não tenha condições de sustentar este vício e, é quase impossível me encontrar disponível para as noites de lascívia. Ando reclusa e não pretendo me dar ao luxo se a proposta não for deveras atraente. 
Mais uma vez espetaram um espinho em meu sentimento e os desejos bons estão se esvaindo um pouquinho a cada dia. Não chego a estar envenenada, mas pediria cautela ao morder a maçã. Dependendo de onde for mordida poderá encontrar um pedaço asfixiante. 
Não tenha medo, não é necessário por enquanto, ainda me encontro leve, apenas não posso mudar o que às vezes você me faz sentir. Sentimentos nada nobres. 
Mas pode beber-me. Encontro-me deliciosamente disposta a emprestar meu gosto a troco de alguma noite divertida. Até deixo que escute alguma música minha enquanto vai me provando mais uma vez. 
Aproveite o convite enquanto é tempo, mas sem mergulhar demais nos meus olhos, não estão disponíveis para desvendar os segredos como antes. Não quero isso! Já faz tempo e não tem mais tanta liberdade assim. 
Pegue minha mão a dance com ela, sinta-a lhe acariciando o rosto e tome mais um pouco de mim. 
Perceba que meu toque é diferente, sinta o meu corpo trêmulo por estar ao seu lado e meu coração acelerado. 
Veja as minha bochechas enrubescerem e deixe que eu beba você também. 
Sinta o meu perfume enebriando tudo ao nosso redor e deixe sua mente girar um pouco. Não se assuste, meu teor alcoólico não é alto, você só irá sentir-se mais leve.
Depois de me degustar, deite-se no meu colo e sinta meus dedos passando pelo seu cabelo, levemente. 
Feche seus olhos e esqueça de tudo. Aproveite esse nosso momento, não sabemos se teremos outro.
E deixe-me beijá-lo como se tivesse beijando a sua alma e se entregue, eu quero dar as ordens dessa vez. 
Beba-me e entre no meu mundo, lá é fascinante quando permitido. 
E depois de tudo isso, se quiser, volte para o seu mundo de tons escuros, só que seu coração não é mais inquebrável. 

Bia Flor 

"But you are unfixable
I can't break through your world 
Cause you live in shades of cool 
Your heart is unbreakable"

Música - Shades of cool - Lana Del Rey 

quarta-feira, 25 de junho de 2014

"Porque toda mulher goza, primeiramente, pela mente"

Em tempo de Copa do Mundo no Brasil, não rola inspiração e nem tempo para postar um texto autoral. Mas achei esse bem bacana e recomento a leitura. 

Vem do blog http://www.casalsemvergonha.com.br/ e o texto segue logo abaixo do meu ponto de vista. 
Para as mulheres sim, para as "meninas" tanto faz. Num mundo onde o sexo é bastante acessível a essência se torna o "sex appeal" de tudo. Cada final de semana ou feriado com uma mulher diferente, que mal se conhece não é significado de garanhão, e nem auto afirmação, mas sim que o homem tem se tornado um mané e inseguro, complexado e vazio que precisa exibir as suas conquistas descartáveis desesperadamente com a desculpa mais esfarrapada do mundo "eu não quero um compromisso sério". Seja encantador e não um pseudo pegador sem critério de qualidade!! Deixem de ser previsíveis com curtidinhas esporádicas em fotos só para garantir o lanchinho dos dias de tédio. Trate a SUA mulher como se fosse a ÚNICA e a ÚLTIMA da sua vida!! E vice versa!! 
Bia Flor 

Segue o texto: 

"O sexo para a mulher, começa muito antes da cama e termina muito depois dela. Apesar de alguns homens estarem conscientes desse fato, poucos realmente o levam a sério. Mal sabem quantas oportunidades estão desperdiçando. Sempre conto esse segredo para os homens que atendo no meu consultório, inclusive me apoiando em depoimentos preciosos dados por mulheres com quem já conversei, como os abaixo:
“Não foi o tamanho do pau dele que me impressionou, mas a maneira como de manhã ele tratou aquela senhora que mal conseguia atravessar a rua. Sua delicadeza me deixou super-excitada.”
 “Ele se esforçou como um guerreiro, até broxou, mas foi a dignidade de olhar nos meus olhos e dizer que estava ansioso por me deixar molhada que me cativou para ter mais sexo com ele.”
 “Quando ele colocou gentilmente minha cabeça sobre o braço dele sem me fazer correr dali como uma vagabunda eu soube que ele seria o pai dos meus filhos. E foi.”
Não quero dizer que os corpos, as línguas, os toques e a força não contam para impressionar, mas a qualidade determinante está muito longe dos lençóis. A mulher goza, primeiramente, pela mente. É pela personalidade dele que elas se apaixonam. Pintos existem muitos, mas pessoas incomuns são raras. Ela até pode querer saborear uma foda incrível com um cara patético, mas entre essa rapidinha e o caráter de um aprendiz, ela prefere trabalhar em cima do valor que o principiante tem. E esse pequeno fator que faz a mente de uma mulher gozar é negligenciado pela maioria dos homens.
A mulher transa com uma narrativa que vai sendo tecida para além do desejo sexual –ela não é fisgada pela potência genital do homem, mas pela sua capacidade de penetrar o mundo. Não é da broxada, da falência e do erro que ela foge, mas dá incapacidade de reagir, retomar e se soerguer. A possibilidade de poder viver uma jornada ao lado de um homem incrível, a excita mais do que bombadas dadas por um cara de pinto grande. É por isso que, na maioria das vezes em que uma mulher recusa o sexo, ela está procurando o algo mais naquele homem. É um desafio para que ele tire a venda que está em seu coração e a penetre com o corpo todo, não só com o penis.
Ela se aborrece não pela ejaculação precoce, mas pelos olhos desconcentrados e a preocupação em parecer poderoso só para si mesmo. Ela fica seca com o egoísmo que a desconsidera como parte essencial do prazer do casal. Ela esfria quando ele tenta romper a meia luz envergonhada, por conta de uma dobrinha a mais, só para ver pornograficamente tudo as claras. Ela broxa se a mão dele está desatentamente gelada na hora do toque ou se ele nem se deu ao trabalho de aparar as unhas para masturbá-la. Não é com o tapa da bunda que ela se ofende, mas com a cegueira emocional de um homem tão autocentrado que nem a si mesmo enxerga. Degustar cada espaço, reparar no detalhe comum da dobra atrás do joelho, brincar com a água que espirra debaixo do chuveiro são êxtases silenciosos e superficialmente não sexuais. Para um olhar condicionado é apenas um ato comum.
O que esfria a mulher é quando a cama é só cama, de madeira, molas, espuma, genitais e movimento. O que a incendeia, ainda que ela diga que também gosta de sexo impessoal, é perceber pelo brilho nos olhos dele, que ele a enxergou por trás da bunda grande ou das coxas torneadas."

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Xeque mate?

As mãos trêmulas quase a impedem de escrever aqui. O coração pequenininho e apertado fazem os olhos se encherem de lágrimas, mas ela não as deixa cair, não pode, não aonde está e também prometera que não choraria mais por este motivo. Só que têm dias que a saudade bate e a ausência machuca. 
Anda pela rua, do jeito que ela se sente mais à vontade, mas não olha para cima, presta atenção nos pés e os passos são sincronizados com  a música que toca naquele momento. 
Os óculos escuros disfarçam o olhar sem brilho e o frio é desculpa para não sorrir. Talvez seja só sintoma dos malditos hormônios que a deixam instável, oscilante e sem cor. 
Nem o sol e o céu azul servem de motivação. Ninguém permitiu que não se deixasse abater. 
A vida vai seguindo, a capa de "mulher maravilha" está sempre impecável, não permite que alguém descubra que ela seja frágil e que vive se autodefendendo. Não ela, sempre tão dona de si! 
As pessoas que a conhece sempre se admiram com sua alegria e positividade, mas não percebem que não passa de uma pseudo felicidade, um escudo ou até um casco protetor para que ninguém perceba que ela quebra e pode se espatifar, já que existem mil pedacinhos colados de maneira quase invisível. 
Colocaram-na num jogo à força e ela não gosta de jogos. No início não percebeu que estava entrando num "WAR" da vida real. Nem sabe jogar isso... 
Quem a conhece sabe que este jogo está praticamente intacto na caixa, abriu-se raríssimas vezes e nunca o jogou até o final. Primeiro por não saber, segundo por não ter saco para ler o manual, terceiro por não conseguir entender o lance de conquistar territórios e quarto por saber que não seria uma boa adversária. No games!! 
Foi quando, de repente se viu no meio de uma batalha a qual seu maior inimigo era a pessoa que mais confiava, que mais queria próxima, que mais admirava, que mais queria bem. Como olhar para ele e aceitar que aquele seria o seu maior inimigo, o mais traiçoeiro de todos, o mais desunamo, o mais egoísta? 
Foi uma descoberta dolorida, que machuca até hoje, que tira o ar. Infelizmente ela tinha sido abatida. Aquele feixe de laser havia transpassado seu coração e seu cérebro, estava totalmente detonada. 
Destruíram a bonequinha mais uma vez... 
Como disse Amy Winehouse: "Love is a losing game".
Costurar seus próprios trapos e se refazer seria mais uma vez um desafio. Viu-se totalmente mutilada. 
Mas não podia ficar assim e foi se reconstruindo novamente. Só que alguns feixes não irão cicatrizar, como as outras feridas que deixaram cicatrizes. Não sente mais a dor, mas foram tatuadas pelo corpo. 
E assim, resolveu seguir, conhecendo novas pessoas, reencontrando outras, andando, dançando, sentindo o vento tocar no rosto, às vezes fazendo aliviar um pouco, outras nem tanto. 
Praquele adversário, tudo sempre foi um jogo, onde obrigatoriamente teria que existir um vencedor, mesmo que se usasse de meios cruéis.  Quase isso: "Na impossibilidade de lutarmos contra nossas fraquezas, resta-nos a baixeza maior: se alegrar com a derrota alheia." 
E enquanto ela disputava essa "guerra" sem saber apertar o gatilho, o maior desejo era que a figura criada por ela fosse sendo desfeita por milhões de defeitos inaceitáveis. Defeitos que vão totalmente contra os seus princípios, sim, princípios, ela preza por eles irrevogavelmente. 
E pede a Deus para conseguir se costurar, mesmo sabendo que para isso sentirá a dor da agulha transpassando seu corpo e sentindo a linha cosendo suas partes. 
E implora para sair desse jogo que só sabe fazer doer e você se tornar, falsamente, apenas mais um. 
Xeque mate?

"Well, I'm not being honest
I'll pretend that you were just some lover (...)
And when I'm hanging on by the rings around my eyes,
and I convince myself I need another, 
for a minute it gets easier 
to pretend that were just some lover."

Bia Flor

Música - Love is a Laserquest - Arctic Monkeys 

sexta-feira, 30 de maio de 2014

A Rejeição

Cuidado ao REJEITAR alguém, ainda mais por mero luxo, os efeitos podem ser IRREVERSÍVEIS. 
"Na festa do batismo da tão desejada princesa Aurora, foram convidadas 12 fadas e como madrinhas desta ofereceram-lhe presentes como: a beleza, o talento musical, a inteligência, entre outras bênçãos apreciadas. No entanto, uma velha fada (Malévola) que foi negligenciada porque o rei tinha apenas doze pratos de ouro, interrompeu o evento e lançou-lhe como vingança uma feitiçaria, cujo resultado seria a morte pelo picar do dedo num fuso quando a princesa atingisse a idade adulta. Porém, restava o presente da 12ª fada. Assim sendo, esta suavizou a morte, transformando o maldição da fada malvada num sono profundo de cem anos, até ao dia em que seria despertada por um beijo proveniente de um amor verdadeiro."
Bia Flor


sexta-feira, 25 de abril de 2014

Refazendo o laço

E depois de algum tempo ela voltou a sorrir. Não tem novidades, mas está tentando ver as coisas de uma maneira positiva. 
Fácil não é, mas o propósito é mudar o foco. Não quer mais apertos no peito, falta de ar com pressentimentos ruins e nem lágrimas de tristezas ou decepção. 
Não, definitivamente, não tem como apagar um passado recente que se faz tão presente, mesmo distante. Mas pode começar um novo ciclo, sendo mais leve, mais "clean". 
Meu caro, se o jeitinho livre dela te incomoda, daria apenas um conselho: nunca tente prendê-la, ela vai sempre preferir voar, se encantar, dançar e se ela gostar de você, de verdade, jamais irá te magoar por ser livre. Já falamos sobre Bia Flor por aqui. 
Ela abriu a porta!! 
Isso não quer dizer que o laço tenha se acabado, pelo contrário, aquele laço que era nó está sendo desfeito e cuidadosamente refeito. 
Já se sabe, ama laços, todos os tipos de laços. Nos sapatos, nos cabelos, nas roupas, nos acessórios. Se pudesse andaria sempre vestida para presente com aqueles laços imensos. Porém os laços preferidos dela são aqueles que se fazem no decorrer da vida, aqueles laços bem feitos, bonitos de se verem. E ela tem esse laço com você. 
Às vezes acredita que esse laço foi feito meio a trancos e barrancos, cheio de tropeços e decepções, foi aí onde ele se apertou demais e acabou machucando. 
Com o tempo o laço se desfez, a fita ficou amarrotada, feia...
Resolveram refazer o laço e ele voltou a ficar arrumadinho, mas não era o mesmo laço de antes. 
Até que, do nada, o laço se afrouxou e ela não se importou como antes. Sorriu, riu, voltou a ser bela, a brilhar, a ter vida. 
Agora com todo esse vigor, o laço está sendo refeito com todo cuidado do mundo. Mas pra isso foi preciso desfazê-lo por completo, para que pudesse lavá-lo, passá-lo, engomá-lo e agora dar o laço. 
O laço é a trégua!
Mil toneladas foram jogadas fora, a leveza se percebe no andar, o olhar traduz carinho e o coração está totalmente arrumadinho. 
Está feliz, limpa, pura, divertida e sabe que há uma reciprocidade nisso, mesmo que negada. 
Um novo ciclo está para recomeçar com esperanças renovadas, projetos concretizados, um Outono brando, onde tudo vai se renovando, se refazendo, renascendo. 
Nada morreu durante este período conturbado, pelo contrário, tudo foi minuciosamente faxinado, polido. Nunca se colocou tantas coisas na balança, se contabilizou os prós e contras, nunca existiu tanta sensatez e agora chegou a hora de, vagarosamente, começar a desfrutar de todo esse novo processo. 
Fez renúncias, escolhas, foi sincera consigo e com os outros. Até o semblante está leve, límpido! 
E depois de tantos detalhes analisados, vírus e "inhacas" removidas está pronta para este novo recomeço. 
Os sentimentos que deveriam permanecer estão intactos, pode acreditar! Não existiu substituição neste quesito. Já aqueles sentimentos que não valiam, nem reciclados foram. 
Já consegue ouvir as músicas sem sentir asco. 
Agora só quer terminar de refazer o laço para reviver esse novo recomeço. 
E não é pretensão dizer que este laço, ah, este laço faz com que ela sorria daquele jeito que você mais gosta!!

Preste bastante atenção:
"Forever is a long long time
When you've lost your way
Trying to follow your ideals 
Oh, sorry, but you so called life
It is such a waste" WITHOUT ME!!! 

Bia Flor

Música - Lasso - Phoenix 

sexta-feira, 7 de março de 2014

Até logo!!

E aquele dia chegou! 
Por mais que os Sanjoanenses estivessem preparados, nunca estariam, suficientemente, preparados. 
Quando o telefone tocou na véspera e me deram a notícia de que a situação não era nada animadora, senti um aperto no coração que eu não gostei. Meu ânimo para sair já não era dos melhores, mas mesmo assim, fui dar uma voltinha pelos arredores, só que alguma coisa estava estranha. 
Na manhã seguinte, o telefone da casa do meus pais não parava de tocar, fazendo com que eu acordasse apreensiva e esperasse pelo toque dos sinos. Não me levantei da cama.
Uma agonia muito forte ia aumentando a cada toque do telefone, até que os sinos começaram a tocar. Era um toque festivo e por alguns minutos eu me acalmei, afinal eu me encontrava na cidade "Onde Os Sinos Falam".
De repente o telefone toca mais uma vez, só que dessa vez junto com o toque fúnebre de todos os sinos de todas as igrejas e, então não tive mais como sair daquele pesadelo real.
Não foi necessário receber a notícia verbalmente, os Sanjoanense natos e de fé sabiam que acabavam de ficar órfãos do pai espiritual mais admirável da cidade dos últimos tempos. E não tive como conter o choro. Tudo estava aos prantos: os sinos, o coração, o céu, os "filhos". 
Naquele momento eu me levantei da cama e fui ver onde meu pai estava, mas ele já havia saído para uma das tarefas mais difíceis que ele lhe pediu. 
Enquanto isso, nós esperávamos escutando os sinos chorarem juntos, ainda sem acreditar que aquele pesadelo era sim, real.
Não havia palavras a serem ditas, só olhares de uma tristeza sem fim e abraços apertados.   
E fez-se silêncio, apenas o toque dos sinos! O coração batia acelerado e dolorido, as mãos estavam trêmulas e a única pergunta era: Por que, meu Deus?
Ele havia de ser eterno, em circunstância alguma nós nos prepararíamos para aquilo.
É sim um pensamento egoísta querer que ele ficasse entre nós, mas não sofrendo, porque ele jamais merecia sofrer, por nada. Um santo não pode sofrer! 
E eu pedia, bem baixinho à Deus para que ele acordasse e sorrisse como sempre. 
Como eu iria ficar sem as suas bênçãos?
E me passou um filme enquanto olhava aquele corpo imóvel.
Os pirulitos que me deu quando eu era criança de colo ainda. Aquelas latas lotadas de pirulitos coloridos: verdes, vermelhos, roxos... A cor do time de futebol que ele torcia - O Fluminense!!
O catecismo, a primeira comunhão, as confissões que não fiz com ele, as histórias que ele contava, as idas à casa paroquial sem motivo, apenas para dar um "oi", as festas religiosas que eu ficava na igreja "ajudando" em alguma tarefa e ele estava sempre lá, até antes de se tornar pároco emérito e muitas outras lembranças.
E me lembrei da última vez que o vi. Ele estava assistindo a um jogo da seleção brasileira e eu entrei na casa paroquial para que ele me abençoasse para eu voltar em paz para a minha casa. Fazia isso quase sempre. E ele sempre me abençoava em latim e me dava uma palavrinha de conforto e ânimo. 
E como eu poderei ir embora sem ser abençoada por ele? 
Foram bastante anos de convivência e nunca recebi uma repreensão se quer, nem quando entrava com uma roupa meio curta na casa dele. E tomava a sua benção todas as vezes que encontrava com ele. 
Teve com meu pai, uma amizade de 60 anos de convívio diário. 
Um carinho enorme pela minha mãe mesmo tendo a chamado de "preguiçosa". 
Não desfazia das pessoas. Tirou muitas da fome. Ajudou tantas outras e nunca deixou ninguém desamparado.
Fez milagres em vida pedindo sempre que confiássemos em nossa Mãe Santíssima! E a preferida dele era a Mãe do Pilar! 
E tudo aconteceu tão cronologicamente perfeito, neste último ano, fazendo com que todos os seus sonhos se tornassem concretos. 
A Capela do Divino Espírito Santo, a Beatificação de Nhá Chica, o Jubileu de Diamantes de Sacerdócio, as pregações feitas no ano de 2013 e o Setenário das Dores que deixou completamente pronto. (Que eu me lembro agora.).
E aquele que celebrou tantas missas para incontáveis fiéis, que confortou o coração de tantas pessoas, que escutou e perdoou os nosso pecados, que desceu o Cristo Morto por vários anos durante a Semana Santa mais tradicional do mundo, que recusou a ser bispo por humildade e que nunca quis ser o centro das atenções, estava ali, deitado em seu esquife, recebendo o carinho e reconhecimento dos seus filhos espirituais. 
Em vida também recebeu a gratidão do seu rebanho. Graças a Deus pudemos mostrar isso a ele!
E continuaremos sendo gratos por, simplesmente, tudo o que ele fez por nós e pelos mais necessitados. 
O nosso homem santo! 
E como eu disse, ele que celebrou tantas missas, agora recebia sua missa de corpo presente com choros contidos e incessantes, ao som das duas maiores orquestras da cidade, Orquestra Lira Sanjoanense e Orquestra Ribeiro Bastos, sob a regência daquele que foi um amigo e "filho" durante 60 anos, meu pai, que com o coração dilacerado aguentou firme até o final, quando o povo cantou junto o Hino dedicado à Nossa Senhora do Pilar, com a voz abafada pelo choro e salvas de palmas enquanto seu corpo seguia no esquife para ser sepultado. 
Sempre humilde e de uma fé inabalável!
O seu jeitinho tímido que não interferia no seu pulso forte para comandar uma diocese inteira está guardadinho na memória dos Sanjoanenses natos e os de fé. 
Seus passos apressados que no final dependiam de ajuda de um braço amigo para subir os degraus ficaram lentos, sua voz forte que até 3 domingos atrás entoava às "Vésperas da Igreja Católica" e o seu cântico de "Ave, Ave Maria do Pilar, antes morrer que pecar" já deixa uma saudade enorme, mas que por enquanto dói, só que com o tempo se transformará em saudade de lembranças reconfortantes.
Como disseram: "Monsenhor sempre foi apressado..."
Amado amigo Padre Paiva, olhe por nós aí do Céu, ao lado do Pai Eterno e Nossa Senhora do Pilar. Guie nossa caminhada e nos ensina a viver com a sua ausência física.
Estamos aguardando os seus "emails celestiais" como prometido. 
E não existe uma maneira de demonstrar o tamanho da nossa gratidão e carinho por tudo, pela sua santidade, pelas suas mãos confortantes, pelas suas bençãos e pelos seus ensinamentos. Não precisamos dizer mais nada, afinal agora o senhor, numa instância bem superior, sabe dos nossos anseios mais íntimos e de como somos gratos.
Nunca mais iremos cantar o Hino à Nossa Senhora do Pilar sem ter aquela emocionante imagem do dia 04 de Março de 2014. 
Um dia nos encontraremos para assistir ao "programa do Chaves" juntos e marcar uma peladinha ai no Céu, quero mesmo ver se o senhor é um bom goleiro.

Obrigada e até logo!!!

                           Foto: Kiko Neto

E essa será sempre a nossa imagem de saudade do nosso amado amigo Monsenhor Sebastião Raimundo de Paiva, o nosso Padre Paiva. Ele andado nos arredores da Igreja que escolheu como sua casa. E nós, seus filhos espirituais, sentiremos a sua presença eterna com muito amor.

"Virgem santa, Virgem Pia, luz formosa, claro dia
que à Terra São-joanense Te dignaste visitar.

Este povo, que a Ti agora, de teu amor favor implora
e Te aclama e Te bendiz abraçado ao teu Pilar.

Pilar sagrado, farol esplendente, rico presente de caridade,
Pilar bendito, trono de glória, tu à vitória nos levarás!

Cantai, cantai, hinos de honra e de louvor,
cantai, cantai à Virgem do Pilar"

Réquiem ætérnam dona eis, Dómine,
Et lux perpétua lúceat eis
Riquiéscat in pace.
Amen 

Bia Viegas

São João del Rei - Minas Gerais

Hino dedicado à Nossa Senhora do Pilar - São João del Rei/MG

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Re-conhecendo-me

Eu tive que vir embora, e você sabe, não foi fácil, mas a escolha foi sua e dessa vez, resolvi acatar.
Bem verdade que já não sorria mais como agora. 
Você fez pesar, doer, machucar e eu me cansei. 
Precisava me permitir divertir, fazer novos amigos, cantar, dançar, viver e assim fiz. 
As gargalhadas surgiram tão naturalmente e eu não tive receio de ser menina mulher, de me sentir livre, de respirar um novo ciclo. 
E eu voltei a me sentir bonita, querida e desejada!
Por um tempo me esqueci de como eu sou e esse reencontro foi mágico!
Obrigada!
Não sei como será daqui para frente. Não sei como será te reencontrar, não conto com isso.
Tudo que você tinha que saber está escrito, é só reler, rever fotos, escutar músicas, lembrar do que existiu ou guardar numa caixa e deixar a poeira tomar conta.
Os versos de Pablo Neruda já não cabem mais na nossa "história". "E desde então, sou porque tu és. E desde então, és. Sou e somos. Serei. Serás. Seremos." Seremos... Seremos! Seremos?
Não abro mão de mais nenhuma estação, aliás, não abro mão de mais nada. E tenha sempre com você, a escolha foi sua.
De fato, é muito complicado viver à beira do abismo. Não tenho asas e despencar seria um pecado imperdoável. Um crime contra a minha vida.
A inconstância do seu humor já não me agradava mais. Os seus defeitos sobressaiam às suas qualidades e eu já não achava mais graça. Sinceramente, brincar na corda bamba perdeu a emoção.
Eu me lembro de quando fazia oficina de circo, era legal viver me equilibrando pelos cantos, em cima das pernas de pau, dos trapézios... Dava um frio na barriga gostoso. Era a adrenalina e a vontade de fazer tudo perfeito, de não cair. Mas a nossa "brincadeira" deixou de ser gostosa.
Enfim... Divirta-se com as suas várias companhias. Descarte-as quando for conveniente para você. Enquanto isso eu sigo me permitindo!
"E se amanhã não for nada disso, caberá só a mim esquecer..." 
Afinal, eu não nasci para ser sombra, eu brilho e o meu brilho te incomoda. Mas eu posso iluminar o seu playground, se você pagar a conta no final do mês.

Et contradictoirement...
"J'veux ton amour
Et j'veux ton revanche 
J'veux ton amour
I don't wanna be friends 
Caught in a bad romance"

Bia Flor

Música - Bad Romance - 30 Seconds To Mars

sábado, 18 de janeiro de 2014

Algumas dores

As pessoas conhecem muito pouco do que Bia Flor já viveu. Até os amigos mais próximos, às vezes, não fazem ideia dos calvários pelos quais ela já teve que passar. Tão nova e já sentiu tanta dor...
Graças ao bom Deus, não sentiu a dor da perda mais dolorosa que dizem que existe para um filho e não pretende tão cedo senti-la. 
Porém, já lhe tiraram muito, e ela continua de pé, nem sempre aos trancos e barrancos, mas sem piedade e caridade de algumas pessoas que julga especial. 
A começar pela dor de tentarem tirar a vida dela. A dor da rejeição que é tratada até hoje delicadamente. E muitos julgam como frescura. A rejeição é um fantasma que irá carregar pelo resto da vida, independente da dádiva dos dois anjos humanos que tem em sua vida.
As dores dos "amores" da infância e adolescência. Dores que se curaram com o tempo ou com outro "amor". Afinal, ainda não tinha muito discernimento para saber o que era amor de fato. 
No momento contabiliza quatro dores relevantes. 
A primeira dor, já enterrada e nem saudade sente. Uma dor apática. A dor que mal sabia que começaria naquela "tarde de Novembro", como já citou em um texto, igual a de Bentinho, vulgo, Dom Casmurro. Hoje pode afirmar com convicção de que aquela tarde de Novembro já não faz mais parte do seu ser, já não assombra mais. O gosto da traição que descia rasgando amargo pela garganta já não existe mais. Mas foram anos carregando essa dor nas costas, sem entender sequer o motivo por ter tido que vivê-la. Enfim, uma dor que a tornou menos doce, mas já foi literalmente enterrada. E assim será.
A segunda dor sofreu calada, sentiu cada apunhalada sem sequer emitir uma palavra, apenas lágrimas escondidas. A dor por ter sido enganada com todo requinte de promessas e planos. De confissões e renascimento. De lembranças e elos refeitos. Até o dia em que pegou o telefone, logo após a dor da perda de uma amiga querida e seu mundo veio abaixo. Descobriu-se cada mentira da suposta brincadeira. E pela primeira vez, sentindo dor em cada pedaço do corpo, quase sem forças, disse ao causador todas as palavras que merecia ouvir. Mas o estrago já estava feito e ela, calou-se até a dor passar e o nojo tomar conta de tudo. Hoje sente indiferença e o alívio por nunca tê-lo deixado encostar um dedo em um fio de cabelo dela. No entanto, ela já estava mais um pouco menos doce. 
A terceira dor. Ah, essa dor... No final também foi baseada na mentira. Mentira essa que faz doer mais que qualquer coisa, porque mentira trai a confiança, e quando a confiança é traída, não existe sinceridade, e sem sinceridade não tem como se encantar, e sem encanto não existe nada. Essa terceira dor envolveu bastante gente, inclusive a família, já que se tinha "um filho". Postiço, mas era O FILHO, o Pequeno Príncipe que amava a mãe Branca de Neve e a cachorrinha "de algodão doce" que hoje está no Céu. Que tinha o cabelo liso igual ao da "mãe" e um futuro brilhante como "advogado mirim". Que comia formiga, que queria ser monge, bombeiro e que tinha o pai mais forte do mundo, se esse pai fosse mesmo humano e não um monstro. Um filho que foi tirado da vida dela sem maiores explicações. Simplesmente tirou-se. E essa dor, meus caros, ah essa dor é eterna!
Fica-se imaginando como ele está, onde ele pode estar. Hoje sem lágrimas, talvez se um dia contar para alguém a história, chore de saudade e pela crueldade das últimas palavras, mas amor de "mãe" é para sempre e ela sente, às vezes em sonho, que ele se lembra dela e os dois se conectam. "Mãe e filho".
Mais uma vez, abafou-se a dor e seguiu em frente, só que dessa vez, não foi menos doce, já estava amarga. 
A quarta dor resume-se no que irá transcrever:
"O sonho é a coisa mais forte que existe. (...). Toda vez que a gente cai, por mais doído que seja, tem sempre que levantar. (...). Vocês vão ficar juntos de novo como queriam, na beira do Rio São Francisco, que com sua água pura leva tudo, até o pior dos sofrimentos. E obrigada pela última lição (...): um grande amor vence até a morte". [Amores Roubados]. 
E segue, mesmo que essa morte não seja física! Mas, um pouco mais amarga.
"Às vezes eu me sinto com uma criança sem mãe". 

Bia Flor 

Música - Sometimes I feel like a motherless child - Brant Porter