quarta-feira, 28 de março de 2012

Tão lindamente

Sempre amou músicas. Desde bem pequena não conseguia ficar sem escutar nem que fosse no radinho da babá. 
Também, tem a música no sangue.
E todo mundo sabe que música e perfume são coisas que marcam qualquer situação.
Sempre que sai de casa, vai escutando músicas e, uma tem a perseguido já bastante tempo. 
Mesmo colocando aleatoriamente, a "bendita" música toca. Parece que ambas têm um encontro marcado diariamente. E, imediatamente, milhões de lembranças explodem na mente dela.
Lembranças que machucam e a fazem sentir-se nauseada.
Ela desacelera o passo e vem, lindamente, substituindo as lembranças por outras que não aquelas.
Esperança ela não tem mais. Perdeu-a qdo começou a acreditar que aquilo tudo era mentira.
Todos foram mentira. Parecia uma estratégia de guerra, onde o inimigo usava belas e doces palavras e, a cada dia ia fazendo-a a acreditar naquela história.
E ela promete, será a última vez que irá tocar nesse assunto. Está com a pá de cal em mãos para enterrar essa monstruosidade.
Já o incinerou, não só ele, mas todos os que fizeram parte desse complô sórdido.
Em acreditar que um dia ela pediu que ele a perdoasse...
Quem iria te perdoar, Hermione?
Aquele vampiro sem caráter algum? Sem o menor escrúpulo? Aquele que adorava te olhar chorando enqto vc afirmava que achava que ficava linda derramando lágrimas entorpecentes?
De fato, as mentiras eram lindas! 
Acordar todos os dias e receber uma mensagem surpresa que a fazia gastar seu sorriso mais sincero, acreditando que tudo era verdade.
E quantas foram as vezes que vc deixou de ser inteira, sendo apenas parte, pq acreditava no mais "correto" de todos, aquele que não a deixava se quer mencionar a palavra inferno. Sendo que o que ele a fazia viver era uma preparação para o café da manhã que o diabo lhe ofereceu. Vc comeu aquele pão, que o próprio amassou.
"O diabo me mordeu. E um anjo lá no céu, de tanto rir de mim, a sua asa ele quase perdeu."
Princesa Snow White, eu esperei por anos p vc regurgitar tudo isso que te prendia.
Lembra-se dos seus Domingos? 
Pois então, tempo perdido que lhe fazia dormir com os olhos inchados sem faltar um. Tanto os que estavam juntos, qto aqueles que cismavam em rastejar para que terminasse.
Tão lindamente! Linda-mente!
Precisou de todo esse tempo para se libertar dessa escravidão insana. 
Eu sinto que essa raiva está se esvaindo cada dia um pouco e vc já se sente mais leve.
Branca de Neve.
E se fosse apenas o amaldiçoado e dissimulado "Belzebu" que tivesse culpa no cartório, mas ainda tem aquele que a subestimou em TODOS os sentidos. 
Menos linda-mente, mas tão mente que a fez ser "calculista".
Sinto que já está respirando bem mais aliviada. 
Sua carta de alforria foi entregue, e agora vc poderá voar como sempre voou.
Liberte-se, afinal agora vc pode erguer a cabeça e dizer: 
- Sincera-mente? Vc mente tão linda-mente!

Bia Flor

Música - Juli  - Du Lügst So Schön

quinta-feira, 15 de março de 2012

Dúvida consumista

Ah, os vinte e poucos anos, qdo podia-se arriscar quase tudo sem ter medo do dia seguinte. Mais segura, impossível! Não tinha mto a perder. Aquele lugar, aquelas pessoas, as vontades todas afloradas. Tudo tão novo e deslumbrante...
Mas o tempo passou, mtas coisas foram jogadas fora, deixadas de lado. Conquistou-se várias outras. Algumas perderam a graça, ficaram sem sal, sem açúcar, o encanto morreu e, quem a conhece, sabe perfeitamente, se o encanto se esvai, não há poção mágica que o faça ressurgir.
Amizades foram perdendo a força até se chegar a tão inesperada indiferença. Inesperada em alguns casos, pq qdo se necessita ser indiferente, em determinadas situações, sabe-se bem, é bastante complicado.
E ela foi crescendo. O tempo, junto com as amarguras e conquistas, fizeram com que ela amadurecesse a "duras farpas".
Momentos em que pensou em desistir, "cortas os pulsos", derramar lágrimas até dormir p nunca mais ter que acordar.
Momentos em que abria-se o sorriso mais lindo e especial do mundo, afinal, como já foi dito "um sorriso desses não cabe em que não é especial". E ela concorda! =)
Viveu recentemente, momentos confusos, os quais, disse o que sentia e foram rude com ela. Lágrimas cortantes faziam sangrar o rosto e o coração. E é onde entra a tão angustiante dúvida.
Será que se deve mesmo demostrar o que se sente?
Ou será melhor sufocar o sentimento e deixar uma oportunidade passar por medo de se magoar novamente, ou por orgulho ou até mesmo pela simples dúvida?
Já lhe enganaram tanto, né?
Já acreditastes em finais felizes, em para sempre e principalmente, ACREDITASTES!
E hj tens medo de acreditar mais uma vez. E te tornas "cheia de dedos", insegura e até injusta pelo fato de teres ACREDITADO!
Tens medo de perguntar coisas simples, de ser prática e racional. Emoção então, é algo que tentas não demostrar, mas qdo o coração é pego de surpresa, isto te fazes ficar sufocada.
Droga, sempre tão transparente e agora com medo de perguntar, demonstrar e arriscar sobre sentimentos.
De quem foi a culpa por teres te tornado tão "cética"? 
Sabes, não existem princesas céticas!
Achas que vale a pena abrir mão da Primavera para continuar a olhá-lo? Nem Pablo Neruda aconselharia-te a fazeres isto. 
Então o que irás fazer? 
Pergunte a ele, isto não o ofenderá e sabes, vai aliviar teu coração.
No entanto, conheço-te o suficiente p afirmar que desta vez está tudo sem controle e tens medo de dizer e expressar-te. Talvez, resquício da última experiência ou insegurança por algo que só nos duas sabemos.
Mas eu como tua criadora tenho que insistir, do jeito que está não dá p continuar, então, prestes bem atenção no que irei dizer-te:

"Se você estiver ocupado demais para me ligar, eu vou entender.
Se você não tiver tempo para me mandar mensagens, eu vou entender. 
Se você tiver fazendo algo mais importante e não puder me ver, eu vou entender. 
Se você fingir que não está nem aí para os meus sentimentos e continuar me ignorando, eu vou entender. 
Se você continuar desperdiçando seu tempo de vida com coisas fúteis, eu vou entender.
MAS, SE EU PARAR DE TE PROCURAR, aí é a sua vez de me entender"



"Stay up till four in the morning
And the tears are pouring

And I want to make it worth the fight

What have we been doing for all this time?
Baby if we're gonna do it, come on do it right"



Bia Flor

Música - 4 in the morning - Gwen Stefani

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Apenas um veneno

Ela se lembra de qdo escreveu sobre suas paixões de infância, e ele estava lá. Paixão de infância que a assombra até hoje. Deixa-na sem ar e, qdo tenta respirar sente uma lâmina atravessando seu peito. Enqto escreve, sente o nó na garganta e segura as lágrimas para não derramá-las. 
Desde que viu aquela maldita foto parece que algo está entalado mas não sabe como e nem tem com quem desabafar. Simples escutar: segue sua vida, isso passa, uma hora irá aparecer alguém bacana. 
Já apareceu mas... ele a assombra e hoje ela vem implorar para que tudo isso termine o mais depressa possível
Uma dose de veneno, por favor?
Um veneno que não me mate, mas que me faça dormir por longo tempo e, qdo acordar essa época tenha passado, essas lembranças não existam mais, esses sentimentos tenham morrido. Não me lembre sequer de nenhuma pessoa que fez parte da minha vida.
Lugar novo, tempo novo, novas pessoas.
Um veneno que faça com que as pessoas que me amam nunca sintam minha falta, como se eu nunca houvesse existido na vida delas.
Um veneno que qdo eu acordar não deixe resquícios de nenhuma marca como o olhar de jabuticaba, o sorriso lindo, os cílios de boneca... nada que faça lembrar aquela de antes. Principalmente, aquela tristeza que apenas raras pessoas conseguiram visualizar.
Seria ela em outro mundo.
Desculpe-me se fiz alguém sentir algo por mim que não pude corresponder. O que mais tenho tentado é me dar uma chance, mas presa a esse passado que vezes me assombra, vezes não, acredito que a melhor solução seja mesmo um veneno. 
Apenas um veneno agora, por favor!

Bia Flor

Música - Don't make me wait - This world fair

sábado, 4 de fevereiro de 2012

"... os últimos versos que lhe escrevo"

"Ainda que está seja a última dor que ela me cause, e este sejam os últimos versos que lhe escrevo" - Pablo Neruda

E ela "mente" para si mesma, e como não está acostumada a guardar uma "mentira", vem hoje, humildemente, talvez, se contradizer mais uma vez.
Sim, no fundo ela acredita em "príncipes encantados", em amores para a vida inteira, em uma família feliz. 
Ela acredita quando dizem que ela é diferente das outras pessoas. Confia na sua autenticidade e gosta do seu temperamento agridoce.
Ela será sim, uma eterna sonhadora e quem sabe, num futuro distante, irá contar tooooooodas as suas histórias para quem quiser ouvi-la.
Ela é peculiar desde que nasceu, Foi escolhida como o presente mais precioso desse mundo. Dois anjos vieram a terra e Deus a mandou de presente para eles.
É muito feliz e agradecida por isso. Ela os ama incondicionalmente! E neste amor,  nunca haverá dúvidas.
Mas é os outros tipos de amor? Aqueles que acontecem quando a gente menos espera e por pessoas que a gente nem fazia ideia que pudesse "amar". Aquele amor, homem/mulher. Aquele que se sente falta numa linda Sexta feira de "céu de Brigadeiro"...
Aquele que por mais defeitos que haja, para ela é o amor do "conto de fadas". Por mais que ela afirme que não acredita em contos de fadas.
Aquele do homem imperfeito, porque o perfeito, provavelmente seria enjoativo demais.
Aquele amor que quando ela chega em casa emburradinha, ele sorri e diz: "você fica linda desse jeito" e não tem como não sorrir.
Dos dias de pipoca, filme e suco (tá, ela parou com os refrigerantes).
De olhar nos olhos e já saber o que se quer.
Da cumplicidade.
Da amizade.
Da admiração.
Do respeito, por maiores que sejam as "diferenças". Imagina se tudo fosse padronizado, não existiriam surpresas, frio na barriga, coração disparado, falta de ar, "borboletas no estômago".
Do amor simples, porém verdadeiro, em que se possa confiar e acreditar no outro como se fosse nela mesma.
"Amar é punk!" E ela irá concordar com a "princesa de rua", já que admitiu ser uma princesa plebeia.
O amor que ela não precisará criar uma personagem só para agradar quem estiver com ela.
Você a conheceu assim. Espevitada, sapeca, menina-mulher do narizinho arrebitado, geniosa, teimosa mas, irritantemente apaixonante!
Aquele amor para se sentar na calçada, ficar jogando conversa fora e rindo horas a fio.
Aquele amor que ela vai cismar em te fazer uma surpresa e insistir para que dance uma música, que para você, talvez pareça cafona, mas que naquele momento se tornará mágica. 
Aquele amor que ela irá acordar mau humorada, sem querer conversar, mas que com um jeitinho especial, logo ela abrirá o sorriso mais lindo do mundo para você e te dar um abraço tãããão apertado, que você irá se lembrar de como era bom ser criança e poder abraçar apertado quem você mais gostava.
E se por acaso, você não for capaz de corresponder com esse amor, mesmo assim, agradeça-a, pois ele é verdadeiro e único. 
Não precisa ser grosseiro para tentar magoá-la e ela sentir raiva de você e se afastar.
Você a conheceu assim... E se não a conheceu ainda, terá oportunidades infinitas para poder conhecê-la melhor, seja como amiga ou como amiga e companheira.
Ela é só uma menina que se confunde com uma "super mulher" que de super não tem nada.
E saiba, que se tudo isso fosse o contrario, ela jamais iria magoá-lo. Ela ficaria infinitamente feliz por saber que existe alguém que gosta dela de uma maneira bem especial. E com jeitinho iria explicar a você, sem nem sequer doer, que não é o momento de estarem juntos, nunca iria tripudiar com rispidez de um sentimento tão nobre.
Sentimento acontece, nasce, cresce quando e por quem a gente menos espera.
Músicas e perfumes são as coisas que mais marcam quando a gente se lembra de alguém especial. 
E às vezes, vale a pena arriscar, do que morrer com a dúvida de que poderia ter dado certo.
Pode ter certeza, ela ainda está machucada, mas se ela tiver que dizer que este sentimento não pertence mais a você e sim a outra pessoa, essa pessoa irá saber e não será tão rude quanto você foi.
Ela já sorri novamente. Talvez caia uma lágrima de vez em quando, mas nada como o "senhor do destino" para deixá-la encantadora novamente.
Amores... Alguns impossíveis, outros incorrespondidos e um dia (talvez não tão distante assim) o sublime "e viveram felizes para sempre"!

"Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo:
“A noite está estrelada, e tiritam, azuis, os astros, ao longe”.
O vento da noite gira no céu e canta.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu a quis, e às vezes ela também me quis...
Em noites como esta eu a tive entre os meus braços.
A beijei tantas vezes debaixo o céu infinito.
Ela me quis, às vezes eu também a queria.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho.
Sentir que a perdi.
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como na relva o orvalho.
Que importa que meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.
Isso é tudo.
Ao longe alguém canta.
Ao longe.
Minha alma não se contenta com tê-la perdido.
Como para aproximá-la meu olhar a procura.
Meu coração a procura, e ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquear as mesmas árvores.
Nós, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a quero, é verdade, mas quanto a quis.
Minha voz procurava o vento para tocar o seu ouvido.
De outro.
Será de outro.
Como antes dos meus beijos.
Sua voz, seu corpo claro.
Seus olhos infinitos.
Já não a quero, é verdade, mas talvez a quero.
É tão curto o amor,
e é tão longo o esquecimento.
Porque em noites como esta eu a tive entre os meus braços,
minha alma não se contenta com tê-la perdido.
Ainda que esta seja a última dor que ela me causa,
e estes, os últimos versos que lhe escrevo." Pablo Neruda


Bia Flor

Música - Seal - If you don't know me by now

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Dia cinzento

O telefone toca e ela não atende. Toca mais algumas vezes, mas ela não está afim de falar com quem insiste em ligar.
As coisas mudaram e hoje ela não está para qqualquer pessoa.
A solidão bate, os olhos lagrimejam, o coração aperta e o ar lhe falta.
A vontade é a de sair correndo e saber que quando chegar ao seu destino, ter alguém especial lhe esperando. Mas sabe que isso será em vão.
Os dias se tornaram longos e cansativos. As noites inquietantes e inimigas. Seu corpo já não aguenta mais a cama. Não há sequer um lugar na casa onde ela se sinta bem. Tudo parece sufocante demais para tantos sentimentos contraditórios.
Não se ouve mais suas risadas, não se escuta mais ela cantar e nem os CDs com milhares de músicas, as quais ela tanto gosta, não tocam mais.
Os sapatos estão todos guardados. Quando sai de casa, coloca um tênis e faz um rabo de cavalo no cabelo, isso quando não coloca um boné e pronto.
Não tem mais rímel nos olhos, blush nas bochechas e batom.
A coleção de cílios postiços está intacta. A bonequinha anda completamente sem vaidade.
E o telefone toca novamente e ela não o atende. 
Conta os dias para estar no colo dos pais, acreditando que só lá essa dor e esse desânimo irão passar.
Definitivamente, este lugar já não a pertence mais. Está cansada de tudo e de todos.
Não irá nem sentir saudade do apartamento que já gostou tanto.
Só algo muito novo irá fazê-la voltar a ter cor, vida. Parece que a corda acabou e não tem ninguém para girar o pino.
A bailarina já não dança mais. Fecharam a caixinha de música e como um brinquedo que era novo, ela perdeu a graça. 
A única certeza que ela tem é de que isso irá passar, que hoje foi só um dia ruim e antes de se deitar, vai se perfumar como todos os dias e tentar dormir como uma "princesa" pois se acaso ele vier lhe visitar na madrugada, ou a morte chegar, ela estará pronta e linda.

Bia Flor

Música - It will rain - Bruno Mars