terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Re-conhecendo-me

Eu tive que vir embora, e você sabe, não foi fácil, mas a escolha foi sua e dessa vez, resolvi acatar.
Bem verdade que já não sorria mais como agora. 
Você fez pesar, doer, machucar e eu me cansei. 
Precisava me permitir divertir, fazer novos amigos, cantar, dançar, viver e assim fiz. 
As gargalhadas surgiram tão naturalmente e eu não tive receio de ser menina mulher, de me sentir livre, de respirar um novo ciclo. 
E eu voltei a me sentir bonita, querida e desejada!
Por um tempo me esqueci de como eu sou e esse reencontro foi mágico!
Obrigada!
Não sei como será daqui para frente. Não sei como será te reencontrar, não conto com isso.
Tudo que você tinha que saber está escrito, é só reler, rever fotos, escutar músicas, lembrar do que existiu ou guardar numa caixa e deixar a poeira tomar conta.
Os versos de Pablo Neruda já não cabem mais na nossa "história". "E desde então, sou porque tu és. E desde então, és. Sou e somos. Serei. Serás. Seremos." Seremos... Seremos! Seremos?
Não abro mão de mais nenhuma estação, aliás, não abro mão de mais nada. E tenha sempre com você, a escolha foi sua.
De fato, é muito complicado viver à beira do abismo. Não tenho asas e despencar seria um pecado imperdoável. Um crime contra a minha vida.
A inconstância do seu humor já não me agradava mais. Os seus defeitos sobressaiam às suas qualidades e eu já não achava mais graça. Sinceramente, brincar na corda bamba perdeu a emoção.
Eu me lembro de quando fazia oficina de circo, era legal viver me equilibrando pelos cantos, em cima das pernas de pau, dos trapézios... Dava um frio na barriga gostoso. Era a adrenalina e a vontade de fazer tudo perfeito, de não cair. Mas a nossa "brincadeira" deixou de ser gostosa.
Enfim... Divirta-se com as suas várias companhias. Descarte-as quando for conveniente para você. Enquanto isso eu sigo me permitindo!
"E se amanhã não for nada disso, caberá só a mim esquecer..." 
Afinal, eu não nasci para ser sombra, eu brilho e o meu brilho te incomoda. Mas eu posso iluminar o seu playground, se você pagar a conta no final do mês.

Et contradictoirement...
"J'veux ton amour
Et j'veux ton revanche 
J'veux ton amour
I don't wanna be friends 
Caught in a bad romance"

Bia Flor

Música - Bad Romance - 30 Seconds To Mars

sábado, 18 de janeiro de 2014

Algumas dores

As pessoas conhecem muito pouco do que Bia Flor já viveu. Até os amigos mais próximos, às vezes, não fazem ideia dos calvários pelos quais ela já teve que passar. Tão nova e já sentiu tanta dor...
Graças ao bom Deus, não sentiu a dor da perda mais dolorosa que dizem que existe para um filho e não pretende tão cedo senti-la. 
Porém, já lhe tiraram muito, e ela continua de pé, quase sempre aos trancos e barrancos, mas sem piedade e caridade de algumas pessoas que julga especial. 
A começar pela dor de tentarem tirar a vida dela. A dor da rejeição que é tratada até hoje delicadamente. E muitos julgam como frescura. A rejeição é um fantasma que irá carregar pelo resto da vida, independente da dádiva dos dois anjos humanos que tem em sua vida.
As dores dos "amores" da infância e adolescência. Dores que se curaram com o tempo ou com outro "amor". Afinal, ainda não tinha muito discernimento para saber o que era amor de fato. 
No momento contabiliza quatro dores relevantes. 
A primeira dor, já enterrada e nem saudade sente. Uma dor apática. A dor que mal sabia que começaria naquela "tarde de Novembro", como já citou em um texto, igual a de Bentinho, vulgo, Dom Casmurro. Hoje pode afirmar com convicção de que aquela tarde de Novembro já não faz mais parte do seu ser, já não assombra mais. O gosto da traição que descia rasgando amargo pela garganta já não existe mais. Mas foram anos carregando essa dor nas costas, sem entender sequer o motivo por ter tido que vivê-la. Enfim, uma dor que a tornou menos doce, mas já foi literalmente enterrada. E assim será.
A segunda dor sofreu calada, sentiu cada apunhalada sem sequer emitir uma palavra, apenas lágrimas escondidas. A dor por ter sido enganada com todo requinte de promessas e planos. De confissões e renascimento. De lembranças e elos refeitos. Até o dia em que pegou o telefone, logo após a dor da perda de uma amiga querida e seu mundo veio abaixo. Descobriu-se cada mentira da suposta brincadeira. E pela primeira vez, sentindo dor em cada pedaço do corpo, quase sem forças, disse ao causador todas as palavras que merecia ouvir. Mas o estrago já estava feito e ela, calou-se até a dor passar e o nojo tomar conta de tudo. Hoje sente indiferença e o alívio por nunca tê-lo deixado encostar um dedo em um fio de cabelo dela. No entanto, ela já estava mais um pouco menos doce. 
A terceira dor. Ah, essa dor... No final também foi baseada na mentira. Mentira essa que faz doer mais que qualquer coisa, porque mentira trai a confiança, e quando a confiança é traída, não existe sinceridade, e sem sinceridade não tem como se encantar, e sem encanto não existe nada. Essa terceira dor envolveu bastante gente, inclusive a família, já que se tinha "um filho". Postiço, mas era O FILHO, o Pequeno Príncipe que amava a mãe Branca de Neve e a cachorrinha "de algodão doce" que hoje está no Céu. Que tinha o cabelo liso igual ao da "mãe" e um futuro brilhante como "advogado mirim". Que comia formiga, que queria ser monge, bombeiro e que tinha o pai mais forte do mundo, se esse pai fosse mesmo humano e não um monstro. Um filho que foi tirado da vida dela sem maiores explicações. Simplesmente tirou-se. E essa dor, meus caros, ah essa dor é eterna!
Fica-se imaginando como ele está, onde ele pode estar. Hoje sem lágrimas, talvez se um dia contar para alguém a história, chore de saudade e pela crueldade das últimas palavras, mas amor de "mãe" é para sempre e ela sente, às vezes em sonho, que ele se lembra dela e os dois se conectam. "Mãe e filho".
Mais uma vez, abafou-se a dor e seguiu em frente, só que dessa vez, não foi menos doce, já estava amarga. 
A quarta dor resume-se no que irá transcrever:
"O sonho é a coisa mais forte que existe. (...). Toda vez que a gente cai, por mais doído que seja, tem sempre que levantar. (...). Vocês vão ficar juntos de novo como queriam, na beira do Rio São Francisco, que com sua água pura leva tudo, até o pior dos sofrimentos. E obrigada pela última lição (...): um grande amor vence até a morte". [Amores Roubados]. 
E segue, mesmo que essa morte não seja física! Mas, um pouco mais amarga.
"Às vezes eu me sinto com uma criança sem mãe". 

Bia Flor 

Música - Sometimes I feel like a motherless child - Brant Porter 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Desejos

E mais um ano está indo embora e com ele todas as coisas pesadas e ruins que vieram de bônus. Ela sempre espera que o novo ano tenha algo positivo e beeeeeeeem leve.
Os últimos 3 anos não foram nada fáceis. Raríssimos episódios onde andou de mãos dadas com alguém numa hora daquelas bastante difíceis. Alguns elos desfeitos, uns nós amarrados, poucos vínculos abalados, mas na contabilização final, um coração mais amargurado
Não tem vergonha de mostrar as lágrimas dos fracassos e da fragilidade, não dá para ser "mulher maravilha" o tempo todo, porém, em contrapartida, o alívio de que coisas deram certo, vitórias importantes foram alcançadas, nem tudo foi só espinho. 
Não gosta das festas de final de ano, como já disse aqui, desde que parou de ganhar brinquedos do Papai Noel e enxergou a realidade do mundo da falsidade, da maldade e da mentira. 
Respira fundo esperando a chegada do ano que já bate na porta e pede como uma prece que vem do fundo do coração, meio dilacerado. Por favor, que seja um ano leve, brando, gostoso como a brisa do verão e a cama quente no inverno. Que todo mal vá embora, que toda dor seja amenizada e que consiga sair do ciclo vicioso que se meteu. 
Quer paz, sorrisos, menos desentendimentos, mais viagens, mais pessoas boas e menos vampiros.
Mais diálogos, menos discussões e um coração novo. 
Resumindo: uma trégua, por favor?? 
Que tudo tenha mais cor, mais vida, mais música, mais danças e contradanças. Que ela consiga ser mais "mulherzinha". E que o novo seja realmente novo, sem "de novo".
Mais carinho, mais mãos dadas, mais abraços apertados, mais beijos intermináveis, mais amor, menos neura. 
Mais postura perante aquilo que faz mal, mas ainda não consegue se desvencilhar, que consiga tomar as rédeas da vida porque quem manda aqui é ela e, só cabe a ela essa missão. 
Mais esforço, menos preguiça. 
Mais serenidade e calmaria. 
Menos desespero, mais esperança. 
Mais realidade, anda de saco cheio dessa vida virtual. Que as distâncias se tornem menores, não nos quilômetros, mas nos sentimentos, na vontade de estar perto e ter atitude para que isso aconteça. Mais força de vontade. 
Mais vida, menos morte, mais desapego, mais liberdade,
Mais segredos segredáveis, daqueles que só eles participam, dois e mais ninguém. 
Mais prazer (em conhecer) e aquele outro que faz o coração bater mais forte, a respiração ficar ofegante e as pupilas se dilatarem, claro que junto com o parceiro dos segredos. 
Mais paciência, mas que esta seja boa de se esperar, sem se agoniar. 
E que estes desejos todos se tornem realidade!!
Ah, mais flores e indubitavelmente, mais

Bia Flor!! 

"Cos when the tears
Roll down my face
Only you can make it better
When it rains on my days
I know who can chance the weather 
And when I'm down 
And there's no one around
Then it's you I'm thinking of you
But it's too soon to call it love (...)
When the answers are all around
No point it letting go
Of the thing that you have found" 

Música - It's too soon to call it love - Dionne Bromfield

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Pressa tempestiva

Tenho pressa, não a pressa do "time is money", mas a pressa de ter visto o tempo passar e necessitar colocar as "coisas" em dia. Acredito que dormi num ponto da história e parece que passou uma eternidade em apenas meros segundos. O coelho e seu relógio, o chapeleiro e seu convite para mais um chá e, nesse meio tempo, meio que Alice me possuiu. 
Acordei a tempo da contradança final, antes das cortinas se fecharem e fazer a minha reverência perante aos aplausos do público. 
Deu até tempo de receber flores, não as de uma coroa, que coloca um fim no enredo da história, mas um bouquet de alguém que talvez não me lembre.
E acordei de um jeito que as princesas sonsas não acordam. Talvez, do jeito de Jezabel, Madeleine, Jessica, Rosemary, ou todas elas juntas, num mesmo compasso, acordando de maneira sincronizada e sentindo o sangue pulsando no corpo inteiro. Aquela vontade louca de explodir como um meteóro destruidor. 
Cansei de fofices, isso tem me nauseado desde que acordei. A meiguice e delicadeza ficaram no mundo onírico junto com outros devaneios de bonequinha enjoativa. 
O que eu quero agora é deixar de lado o laço e meter a liga. Sair do palco e ir para o backstage. Tudo low profile! O inverso do que ela era. Viver a sordidez efêmera e "amnesiática". 
Admirar o que todos admiram e só eu possuo. A companheira dos bastidores, que escuta os gritos histéricos, os choros fanáticos e apenas observa. Que vê os cartazes e cartas com carinhas e corações e guarda tudo num bau esquecível, enquanto vai sentindo o gosto do beijo quente e despudorado do ser desejado até quase morrer asfixiada. 
Acordei a tempo de beber algo forte, aumentar o volume e girar, girar, girar insanamente até chegar no mundo do delírio, aquele mundo que ninguém entra sem permissão. 
E tudo isso em cima de um salto 15, um batom vermelho, as unhas pretas, descabelada, com olhar "diabólico" e um sorriso sarcástico de tudo que é patético e lastimável!
Fica, vai ter álcool, eu vicio e você gosta!! 

Bia Flor

"Now that you know I'm trapped
Sense of elation
You'll never dream of breaking this fixation
You squeeze the life out of me
(...)
You will suck the life out of me"

Música - Time is Running out - Muse 

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Proteja

Os dias não têm sido fáceis já tem um bocado de tempo. A cabeça anda ruim e o desânimo toma conta do corpo todo. Mais uma recaída...
Pensamentos estão vagos e quase nada importa. Já fez mais questão das coisas.
Chega a recuar, mas algo muito forte faz com que ela não desista. 
Sorri, mesmo em meio a lágrimas e sentimentos ruins.
Às vezes se sente num labirinto, perdida, sufocada, desesperada para encontrar a saída e respirar um ar fresco. Um labirinto móvel, onde as paredes vão se fechando, as saídas e entradas estão constantemente em movimento e o teto vai se abaixando. E não dá para ser tornar pequena para tentar escapulir pelas frestas. 
O grito fica abafado e isso vai dando mais angústia. 
Os minutos que passam para ter que voltar para aquele lugar fazem com que o desespero aumente e a raiva vai tomando lugar. Só é dócil com quem ama, os outros, pouco importam. Como já disse, não faz tanta questão mais. 
A lágrima que escorre é uma mistura de tristeza com raiva, e se olhando no espelho, enquanto a lágrima vai descendo, sente um poder esquisito, como se pudesse explodir o mundo com o olhar. Acabar com tudo para recomeçar. 
Mil cenas vão sendo criadas, de delicadas às mais sórdidas, em todos os sentidos. Morrer para nascer! 
A alegria surge quando começa a acreditar que pode sim ter um poder ainda não descoberto. 
Menina diaba que tem o olhar mais angelical que já se viu. 
Seu coração é bondoso, porém anda exausta de fazer tanto o bem e não ter êxito. E nem venham com aquela balela de que as pessoas devem ser boas sem esperar nada em troca. Não é divina a esse ponto. Se faz é porque gosta, mas sim, espera um "muito obrigada" e talvez, um "agrado". 
Clama por um colo que não seja mais o dos pais. Agora é mulher e precisa sentir o calor do desejo carnal. 
Precisa deixar essa sensação presa extravasar por completo até gritar de tanto êxtase. 
Endorfina, se existisse para comprar, teria uma overdose. 
Sua fuga é se exercitar até o corpo pedir clemência e as dores fazerem com que ela durma o sono dos justos ou "injustiçados". 
E ela só quer que você abrace-a e proteja-a do que ela tanto deseja.

Bia Flor

"Sommes nous les du destin
Souviens toi des moments divins
Planants, éclátes au matin
Et maintenant nous sommes tout seul
Perdus le rêves de s'aimer 
Le temps où on avait rien fait 
Ii nous reste toute une vie pour pleurer 
Et maintenant nous sommes tout seul 

Protège moi, protège moi 
Protège moi de mes désirs 
Protège moi, protège moi"

Música - Protège moi - Placebo