sábado, 24 de abril de 2021

Nos meus sonhos

 "Aí vindes outra vez, inquietas sombras". 

Como eu gostaria que você ainda lesse meus textos, aliás, queria mesmo que voltássemos a nos falar. Sei que para você, eu não tenho a menor relevância, mas você ainda vem me visitar nos meus sonhos.

Tanto tempo se passou... Quanta vezes eu tentei ligar para você, quantas cartas te enviei...

Sinto que você nunca me perdoou. Entendo que eu mereci esse desprezo. Fui muito sacana, muito manipulada. Eu era tão imatura, tão inconsequente, e de todos os meus erros, os que cometi com você, me doem muito.

Cheguei a acreditar que algum dia nós poderíamos ser, ao menos, amigos.

Você nem deve se lembrar do que nós vivemos, dos nossos momentos felizes e loucos. É só fechar os meus olhos que vejo tudo como se fosse hoje. De como nos conhecemos, que fui eu quem te ligou primeiro, das mensagens que nós trocávamos quando ficávamos distantes (guardei o meu celular daquela época até pouco tempo), de como você me pediu em namoro. Verdade é que eu não deveria ter sido sua namorada naquela época, meu coração ainda precisava se curar e acabei te machucando muito. Sempre que podia, você me levava ou me buscava na faculdade. Das vezes que você ia embora às Segundas à noite só para ficar um pouco mais comigo, ou voltava às Quintas feiras. Das nossas baladas juntos, das nossas músicas. Das nossas guerrinhas de gelo, das suas flores (Flores do Campo)... E me lembro também do quanto eu dormia por causas dos remédios que tinha que tomar e por isso o meu apelido que deu nome a esse blog e ficou marcado em mim. Ainda irei apagar essa tatuagem. 

É perfeita a lembrança daquele Sábado de calor, que você estava triste, e eu tentei te animar, mas você decidiu terminar o nosso namoro. E claro, do quão sacana eu fui com você. 

Sinto muito por ter te "traído" depois daquela valsa. Fui eu quem enterrou a bonequinha. 

Infelizmente não dá para mudar o passado. Mas sempre que eu contar a parte que você protagonizou a minha história, será sempre com, "uma célebre tarde de Novembro, que nunca me esqueceu. Tive outras muitas, melhores e piores, mas aquela nunca se me apagou do espírito" e isso me faz ter muitos sentimentos contraditórios, mas o principal é a saudade. Os meses de Novembro nunca mais foram os mesmos. 

Sinto saudade do que nós vivemos. Sinto saudades quando vejo nossas fotos juntos. Sinto saudades quando vejo o homem lindo que você se tornou. Sempre fui encantada pela sua autenticidade e pelo seu sorriso, foi aí que nós combinamos - loucos, cada um do seu jeitinho, mas loucos. 

Que bom que pelo menos nos sonhos, mesmo que raramente, você ainda vem me visitar.

Escrevo com o coração apertadinho mas sorrindo por ter feito parte da sua história.

Cuide-se! 


sábado, 12 de setembro de 2020

Eu recrio

Não sei se é bom, mas eu crio e recrio você sempre. Imagino situações em que estaremos juntos de mãos dadas e sorrindo num dia lindo de Primavera. Sou apaixonada pela Primavera
De vez em quando você tem um rosto, o rosto que eu vejo nas suas fotos, outras, eu invento seu rosto. 
Crio e recrio o seu olhar. Acho seu olhar tão bonito, tão expressivo! Aquele olhar que diz tudo sem que palavras sejam necessárias. O seu rosto viril me faz sentir protegida. Eu tenho o lado frágil, mulherzinha delicada, que por muitas e muitas vezes se cansa de carregar o "mundo" nas costas. 
Crio e recrio histórias, as quais, você é meu par. Mundos diferentes, épocas que já se passaram, outras regiões, vidas que não existem mais, culturas diversas. Histórias tristes e com finais felizes, mas em nenhuma delas você me faz esperar. 
Ironicamente, na vida real, me senti como o Pequeno Príncipe em suas cartas:

"Vale a pena todo esse sofrimento por quem nem mesmo pensa em avisar? Certamente não. Então nem sofrimento se tem mais, e isso é ainda mais triste. (...)
Fico chateado, pois até minha tristeza está arruinada. Teria sido triste se você não tivesse podido vir. Mas para todos a vida está difícil. Eu não teria ficado magoado com você. Mas fiquei magoado por ter-me deixado esperando, não por não ter vindo. É a menos bela de minhas lembranças. Não devia destruir as minhas lembranças." 

E já te adiando, não existe Pequeno Príncipe cético, e nem eu quero me sentir assim. Não quero que você desperte Madaleine, por mais fascinante que ela pareça ser. Ela machuca e dói, dói bastante. 

Naqueles momentos quando tudo parecer estar pior do que parece, saiba o que fazer para me sentir melhor. Como tirar minha atenção das coisas ruins, e com que eu volte a sorrir novamente. Saiba me acalmar com seu toque confiante e seguro. Deixe-me dormir em seus braços e sentir que estará sempre lá quando pesadelos vierem me perseguir? E promete que quando eu estiver chorando, irá me abraçar forte e fazer ficar tudo bem novamente? 
Ao mesmo tempo, tenho medo de recriar você, como das outras vezes e essa confiança que resta se estilhaçar e virar cacos finos de cristais que machucam. Mas enquanto eu criar e recriar você, por mais que as cenas estejam desconexas eu ainda acredito que aquele match não foi mero acaso. 
Eu quero você e isso é sério!

"Os contos de fadas são assim.
Uma manhã, a gente acorda
E diz: 'Era só um conto de fadas...'
E a gente sorri de si mesma.
Mas, no fundo, não estamos sorrindo. 
Sabemos muito bem que os contos de fadas
são a única verdade da vida."

Antoine de Saint-Exupéry 

Bia Flor


                                       

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Jezabel II

Sente que a fase "imaculada" de mãe está querendo dar um pit stop. Sempre que pensava nisso, acreditava que Rosemary iria surgir. Madaleine estava totalmente fora de cogitação e Jezabel nem se passava pela cabeça. Mas, os planos mudaram de repente e eis que surge a temida Jezabel. 
Acho que vem encrenca por aí! Jezabel agora é loba.
Gosta de pensar em Santa Joana D'Arc ou nas intituladas bruxas na época da Santa Inquisição.  
Agora, no âmbito profano, quem está tomando as rédeas é Jezabel. 
Incrível como ela se manifesta sempre nos intermediários, ou no Outono, ou na Primavera. 
Ah o Outono, de novo, estação que é fria por fora, mas por dentro deixa as coisas bem quentes. Estação da sua Primavera.
Um Outono completamente atípico, o mundo em quarentena por causa de um vírus infeliz. E como não tem tantos afazeres por aí, dá pra se deleitar se espreguiçando na cama e sentindo cada pedacinho do seu corpo. Sensibilidade desacordando aos pouquinhos e trazendo velhas e novas sensações. Novos hormônios e vontades. 
Pensamentos que vão looonge, se pega mordendo os lábios delicadamente sensuais e, quando percebe isso, abre um sorriso convidativo e despudorado. 
Não se engane com seu jeito maternal, a essência lasciva sempre poderá ressurgir como um vulcão. 
Aguçaram os sentidos dela e fizeram-na relembrar de detalhes específicos que ouviu em alguns momentos. Seu cheiro inocente, seu gosto doce, seu jeito espevitado, seu beijo faminto, seu olhar devasso.
Sente saudades dos cabelos longos e escuros, dos saltos em stand by, da maquiagem elaborada... De tudo aquilo que poderia ser desfeito assim que a cortina, literalmente, se fechasse. Aquela varanda de vidro... 
Será que ainda dá tempo de voltar a ter, pelo menos, por alguns instantes, a ousadia que a tornava liberta e luxuriosa?
Será que não é incoerente se tornar Jezabel? E se for, quem irá condená-la? Madeleine, Jessica, Rosemary, Bia Flor? Elas nem são tão pudicas assim. 
Pois bem, confesso-vos! 
Jezabel se manifestou durante uma semana que deveria ter ficado enclausurada, trancada com cadeados por todos os lados. Numa Sexta feira de silêncio. Instigaram-na até perder o controle e se deliciar completamente, só não podia tocar, sentir, ter, enxergar, ouvir... Apenas ler e imaginar. Foi tão bom! Tão intenso que o coração acelerava a cada notificação. Salivava como uma esfomeada, e está. Precisa de potássio, assim como as borboletas, para sobreviver. Potássio do suor e das lágrimas de puro prazer. Endorfina. Dopamina. Êxtase.
Foi apenas uma manifestação momentânea que desencadeou o despertar de um sono de 7 anos e uma vontade de 3 anos, logo em meio um apocalipse viral. Mas ela não quer ter você ao lado quando acordar totalmente. Você a magoou, agora foda-se! Jezabel tem alguns bons momentos que gostaria que se repetissem e eles irão acordá-la. Assim meio de lado, despenteada, com sabor de vinho e bastante preguiça, saliva, suor e muitos fluidos. 

Tenho fome, e se me deres o que comer, em troca terás o momento mais insano e inesquecível que poderá existir na sua vida vazia. Tirei totalmente os resquícios de santa e por um momento pretendo ser Jezabel. De novo! 


"Wanna be right where you are
Let's go dancing in the dark
Don't wait, you can push to start, lose control
Kill me slowly with your kiss
Wrap me round your finger tips
Damn, I need another hit
(Make me lose my mind)."

Bia Flor 

Música - Hallucinate - Dua Lipa 

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Domenico

Depois de mais de 2 anos teve vontade de escrever. Muita coisa mudou por aqui. Já não incorpora Madeleine, nem Jezabel, por enquanto, mas tem desejos.
Até Bia Flor ficou esquecida. 
Perdeu bastante a identidade. Não ouvia mais músicas, não assistia mais filmes e a inspiração, sequer, existia. 
Parou de fumar e tornou-se mãe.
Mas hoje, se lembrou deste lugarzinho onde sempre aparecia para estravazar os "sentimentos". 
Escutou músicas, releu os textos, mexeu em coisas "velhas". 
Ainda está um pouco estranho isso aqui. Parece meio sem intimidade, um tanto ressabiada. É bem esquisito escrever, despudoradamente, como antes. 
Mãe é meio um troço "imaculado". 
Não veio falar da nova função. Gosta de contar coisas que deixam uma "pulguinha atrás da orelha". 
Hoje, te escreve:

"Nem sei bem como começar, mas certamente, passaria horas escutando você contar histórias dessas suas andanças pelo mundo. Trocaríamos muitas, muitas músicas. 
Provavelmente, teremos muito em comum. Se não tivermos, com o primeiro grande amor da minha vida você tem, e são estas histórias que quero que conheça. 
O momento é delicado pra você, mas me fez sorrir e ter uma pontinha de esperança. 
Parece bobeira mas passei o dia pensando em como fazer para você me notar. Estivemos tão perto e me deu um frio na barriga tão adolescente!
A impressão que eu tenho é de que você é tão leve...
Pareço uma boba escrevendo.
Essa tempestade vai passar e o arco íris irá surgir para nós dois. 
Olha só, se um dia e tiver coragem e não for tarde demais, tomarei alguma atitude. Mas por hora, receba um livro de presente de alguma "desconhecida"." 

Pois é, e esta foi, mais ou menos a dedicatória do livro que te enviou. E ontem, descobriu que você suspeitou dela desde que o recebeu, e isso a fez sorrir e perder o sono. 
Descobriu que você é leonino e ela uma raposa até então "desconhecida" e sem cartas. 
E como a do livro, é como outras cem mil iguais a ela. Acredita que nessa história invertida terá que te cativar. Primeiro sendo sua amiga e se destacando, de alguma forma, entre as demais da sua espécie. Precisarão criar laços e assim, terão necessidade um do outro. 

"- Tu sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. E te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal entendidos. Mas, cada dia, te sentarás um pouco mais perto.
(...)
- Teria sido melhor se voltasse à mesma hora - disse a raposa.
- Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz! Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada. Descobrirei o preço da felicidade! Mas, se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar meu coração." O Pequeno Príncipe

O roteiro você conhece bem. Porém, se aceitares e vieres para um vinho e um papo, siga o ritual e avise-a. Ah, isso é um convite!
 Precisará ter tempo para ajeitar os cabelos e fazer seu rebento dormir. 
Agora você se chamará Domenico, um nome com muitas coincidências para ela, assim como vocês. É um dos nomes de Puccini, o preferido dela, nem seu Mozart, nem Vivaldi com todas as Estações. 

"Abro mão da Primavera para que continues me olhando" Neruda. 


Bia Flor ou se quiser, Le Renard

sábado, 6 de maio de 2017

Beijando estranhos

Este post não é sobre você, relaxa. Não tem um único destinatário, aparentemente. 
Talvez seja ficção ou uma mistura com um realidade passada. Lembranças... 
Muitas baladas loucas, fases que se foram e mais uma que já está dando adeus. Mais uma Primavera está chegando e já são quase dez aninhos de blog. E muitos beijos. 
A maioria deles começa com o olhar. Ela mira e os olhos de jabuticaba - cigana oblíqua e dissimulada - encaram, Nunca foi santa, às vezes tímida, mas sempre com muita atitude. O último episódio foi o de um italiano "desnutrido" que em menos de 5 minutos virou um gato, mas nem o nome soube. 
Ah, Bia Flor, você é demais! O que seria de mim sem você! 
Já beijou mentalmente umas poucas e boas pessoas, em situações inapropriadas, e viaja. E abre aquele sorriso enorme que há tempos não aparecia. Já beijou vários atores, anda beijando muito o "Harvey" do seriado "Suits", que por falar nisso, já teve um do tipo na vida real. Difícil não se render a um terno bem cortado, né? 
E acabou acontecendo, o tal "Harvey" workaholic a beijou. Taurino com taurino dá merda. o beijo é bom e essa raça de advogado têm sempre um bebida alcoólica na "manga", quando viu... Foi consensual e avassalador! 
Mas têm beijos que não dão liga, o ascendente é em Escorpião, perde o interesse da mesma maneira que se interessa, assim, PUFF, num toque de mágica. #Bored 
E o coração é de administrador: vai ao banheiro, pegar uma bebida, tomar um ar, fumar e #Mwah. Hasta la vista! 
A tão pressa tempestiva do "time is money". 
Não se esqueçam, ela se interessa, mas se não mantê-la encantada... É princesa plebeia, de rua, à noite os gatos são pardos, mas já é "macaca velha". 
Já beijou "além mar". Ah Tozé, quanta saudade! Dançar com os olhos fechados, ser sua "Capitu". 
Aquela tarde de Novembro que nunca se esqueceu, a qual começou a evocação - "Eia! Se só me faltassem os outros"... Beijo que marca como tatuagem e faz surgir sentimento que jamais se esquece. 
O beijo da paixão de infância que sempre mexe com a gente... lá no pátio da UFSJ. Ah é amor, isso é amor (de infância) o que não impede que ame o próximo.
E tem os beijos esporádicos, os quais já não fazem mais parte do repertório com tanta frequência, mas massagem facial faz bem. 
O beijo de Escorpião que tem medo porque é imã mas é roubada. 
O de Libra que cola mas dá um pouco de dor de cabeça. 
O Virginano perfeccionista tal e qual que rola aquela disputa de quem quer fazer melhor.
O beijo paieiro que mete um Halls. 
O beijo com gosto de bebida que rola no meio da balada.
O beijo que já bebeu demais e se fechar os olhos e rodar, foge e quase perde um sapato, mas essa é a princesa errada.
O beijo que faz com que ela se desloque para conversar com o escolhido e vira um tédio e ai aborta a missão. 
O beijo desajustado que dependendo do grau etílico comete um sincerícidio e sai como a babaca mas foda-se. 
O beijo ruim mesmo. 
O beijo figurinha repetida do contatinho gadinho reserva. 
E o beijo... Ah... o beijo... aquele beijo... esse mesmo... "nananananananana"!! 

¨Till I find someone I love 
Na na na na na na na naKissing strangers 
Till I find someone I trust 
Na na na na na na na na 
Kissing strangers¨ 

Bia Flor 

Música - Kissing Strangers - DNCE