segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Um grande amor supera até a morte

Capítulo II

- Não é só cansaço. Vai passar.
- Não vai passar se você continuar fingindo que está tudo bem.
- Às vezes eu tenho medo... Medo de não conseguir dar conta de tudo sozinha. 
- Você não precisa dar conta sozinha. 
- Preciso sim. Sempre foi assim. 
- Nem todo mundo vai embora, algumas pessoas ficam.
- Eu não quero que ninguém fique por pena. 
- Não é pena, é porque eu me importo com você. 
- Faz tempo que ninguém diz isso para mim. 
- Então acostuma, porque eu vou repetir quantas vezes precisar. Você é mais forte do que imagina, mas não precisa ser forte o tempo todo."

     Esse diálogo poderia muito bem ser nosso, nos dois sentidos, mas é um diálogo fictício de um casal que também me marcou bastante. Tenho algumas inspirações as quais me identifico e, essa parte da nossa história, me fez relembra-lo. 

    Eu tenho a sorte de ainda poder sonhar com finais felizes e possíveis, mas na vida real, até o "final feliz" chegar definitivamente, aparecem entraves, traumas e conflitos, os quais doem a ponto de fazer com que eu questione, tal qual o Pequeno Príncipe - "
Vale a pena todo esse sofrimento por quem nem mesmo pensa em avisar? Certamente não. Então nem sofrimento se tem mais, e isto é ainda mais triste. Não há Pequeno Príncipe hoje, nem haverá nunca mais. O Pequeno Príncipe morreu. Ou então tornou-se cético. Um Pequeno Príncipe cético não é mais um Pequeno Príncipe. Fiquei magoado com você por tê-lo destruído." 

    Assim como o diálogo da raposa, que deixou-se cativar.

" - (...) tu procuras galinhas? 

- Não - disse o príncipe. Eu procuro amigos. O que quer dizer cativar?
- É algo quase sempre esquecido - disse a raposa. Significa "criar laços".
- Criar laços?
- Exatamente - disse a raposa. Tu não és nada para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E não tenho necessidade de ti. E tu também não tem necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. Eu serei para ti única no mundo. (...)
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todos as galinhas se parecem e todos os homens também. E isso me incomoda um pouco. Mas, se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim, não vale nada. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então será maravilhoso quando tiveres me cativado. O trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo. 
A raposa calou-se e observou por muito tempo o príncipe. 
- Por favor, cativa-me! - disse ela. (...)
- E o que é preciso fazer? - perguntou o pequeno príncipe. 
- É preciso ser paciente - respondeu a raposa - Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim na relva. E te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás um pouco mais perto. 
- No dia seguinte o príncipe voltou.
- Teria sido melhor se voltasses à mesma hora - disse a raposa. - Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz! Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, eu estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o meu coração... "

"Uma manhã a gente acorda 

E diz: 'Era só um conto de fadas...'
E a gente ri de si mesma.
Mas no fundo, não estamos sorrindo
Sabemos muito bem que os contos de fadas
São a única verdade da vida."

    E é assim, na peculiaridade da minha ingenuidade que ainda acredito num nosso final feliz. Eu poderia muito bem, sofrer e chorar até essa dor passar e deixar você ir, como vários outros que se foram. Mas seria injusto comigo, que por tanto tempo me fechei, me guardei e reencontrei a pessoa mais inesperada desse mundo: VOCÊ. Seria injusto deixar você ir, sendo que nós temos um combinado de dialogar, verbalizar tudo que nos incomoda, para, com maturidade, tentar alinhar os ponteiros. E mais uma vez, por falta de comunicação, unilateral, entramos em conflito. 

    Quando eu era adolescente, gostaria de ter o poder de ler a mente das pessoas. Por um bom tempo, achei que isso resolveria muitos problemas, porque eu poderia prever e me prevenir do que aconteceria. Mas, certamente, pela ordem natural da vida, eu não iria amadurecer e crescer, não iria ter a oportunidade de adquirir os valores que eu tenho e tanto prezo, porque não teria a oportunidade da imprevisibilidade, da surpresa, das provações tão fundamentais para esse crescimento. Ter o controle de tudo seria bastante frustrante e eu iria perder a oportunidade de me deixar surpreender com tantas coisas fantásticas que eu já vivi, A previsibilidade me tornaria uma pessoa extremamente racional e, acredito que me tornaria uma pessoa fria e essa emoção que eu tenho tão aflorada, não iria me tornar essa mulher tão intensa e surpreendente que eu acredito que sou. Imagina eu ter a certeza de tudo que se passa pela sua mente? Eu não me deixaria CATIVAR. Não existiria frio na barriga, nem brilho nos olhos, nem sorriso bobo e muito menos esse amor tão intenso que sinto por você. 

    Hoje, eu gostaria de ter o poder de me bilocar, de estar com você e compartilhar todos os momentos, bons, ruins e mágicos que a vida nos tem permitido viver. Por isso eu sempre digo para você, vamos inventar o teletransporte? Deixa eu sonhar que um dia isso irá existir e, quando essa saudade, essa falta, essa ausência que tanto machucam, atrapalham e incomodam seriam solucionadas. Esse seria o final feliz do meu conto de fadas, estar perto de você num piscar de olhos. Poder colocar sua cabeça no meu colo e acariciar seus cabelos e seu rosto, tão perfeitinho. Te abraçar tão forte a ponto de não deixar você partir para longe de mim. 

    Entretanto, a única coisa que eu desejo, é que você verbalize, peça, converse comigo, como nós combinamos no nosso primeiro final de semana juntos. Eu não tenho o poder de ler mentes, não tenho um teletransporte, mas posso sim, me programar para estar mais perto de você tantas e quantas vezes forem possíveis. Eu posso fazer parte da sua rotina assim como eu fiz durante alguns meses. E me desculpe, mais uma vez, por não estar ao seu lado nessa temporada de tanto trabalho da sua parte, não por não querer, mas por não termos planejado isso. Você não faz ideia do tanto que me ajudou a evoluir na minha aceitação, no meu crescimento, na minha dedicação e me tirado um pouco do modo sobrevivência. E acredite, quando eu digo que te amo, é aquele eu te amo, da nossa primeira vez, onde eu olhei bem no fundo dos seus olhos, igual uma adolescente apaixonada, deitada na cama, sem acreditar que era VOCÊ e agradecendo à Deus, diariamente, por ser VOCÊ. Nada seria dessa maneira se não fosse VOCÊ o meu Dante às avessas. E como eu postei na nossa primeira foto: "Eu não vim aqui dizer que eu não posso viver sem você. Eu posso viver sem você, mas EU NÃO QUERO, MEU VERSO FAVORITO". 

"Antônio Braga foi pioneiro dessa cidade, um bravo que acreditou que existia vida na terra seca. Que insistiu e acreditou num sonho, mesmo quando todos disseram que ele tinha enlouquecido. O sonho é a coisa mais forte que existe e esse homem corajoso era o meu avô, que me contava história e que me ensinou a amar o solo, que mesmo árido alimenta nossa família até hoje. Ele me ensinou a andar de bicicleta também, e nesse dia, eu cai, e não quis subir na bicicleta de novo, e eu lembro que ele disse: - toda vez que a gente cai, por mais doído que seja, tem sempre que levantar. Ah vô, vai ser um tanto mais difícil pra todo mundo sem você. E hoje, nós realizamos o último sonho dele que é ser enterrado aqui ao lado da minha avó, dona Maria Inês. Cês vão ficar juntos de novo como queriam, na beira do rio São Francisco, que com sua água pura, leva tudo, até o pior dos sofrimentos. E obrigada vô pela última lição, um grande amor vence até a morte. Te amo!" 

Amores Roubados 

    Hoje eu me despeço dizendo: O nosso amor é bonito porque é verdadeiro - um dia você irá entender isso. Eu só preciso que você verbalize tudo aquilo que você espera que eu faça, o que te incomoda, no momento exato dos acontecimentos, porque eu sempre acho que estou fazendo o melhor para você, para nós, para mim. E me ajuda a te entender da mesma forma que eu te peço ajuda para me entender e me curar. 

    Obrigada por ser VOCÊ o homem dos meus sonhos. 

    
    Sua Beatriz


Música - Greatest Love of All - Whitney Houston - (Tema de Edgar e Marcela - Remake Ti Ti Ti)

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